Terras raras cobiçadas por Trump estão sendo pesquisadas em Mutuípe, Jiquiriçá e Ubaíra

Há especulações de que os norte-americanos cogitam usar esse interesse como moeda de negociação diante da recente tarifa de 50% imposta ao Brasil.

Nesses anos, o Governo Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia e da ANM (Agência Nacional de Mineração), tem concedido autorizações para a realização de pesquisas minerais em diversas cidades do Vale do Jiquiriçá.

As atividades de prospecção mineral, que começaram entre os anos 1990 e 2000 com foco na busca por ferro e bauxita, agora se concentram especialmente nas chamadas terras raras.

Na época, a mineradora Rio Tinto chegou a receber autorização para explorar áreas da região, após a identificação desses minerais, já nesses anos, o foco das autorizações tem se voltado à pesquisa de terras raras, elementos considerados estratégicos para a indústria global.

No município de Ubaíra, a Borborema Mineração está instalada há alguns anos.

Embora pouco se saiba sobre as atividades de extração, sabe-se que pesquisas minerais vêm sendo realizadas em diferentes comunidades rurais. Cenário semelhante foi registrado na zona rural de Jiquiriçá.

Recentemente, a empresa recebeu nova autorização da ANM, conforme publicação no Diário Oficial da União de 12 de maio de 2025, a licença permite a realização de pesquisas de bauxita e terras raras no município de Mutuípe.

Além disso, a Borborema também obteve autorizações para atuação em Jaguaquara, ainda dentro da região do Vale do Jiquiriçá.

No Baixo Sul da Bahia e na região do Médio Rio de Contas, diversos municípios também estão na lista de permissões para pesquisa mineral, incluindo Presidente Tancredo Neves, Wenceslau Guimarães, Teolândia, Ibirataia, Jequié e Apuarema.

Nesta semana, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou publicamente interesse nas reservas brasileiras de terras raras, que são essenciais para a indústria tecnológica e bélica.

Há especulações de que os norte-americanos cogitam usar esse interesse como moeda de negociação diante da recente tarifa de 50% imposta ao Brasil.

Especialistas acreditam que o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, o que pode colocar o país, e em especial a América Latina, no centro das atenções globais.

Com o avanço das pesquisas e a presença da Borborema Mineração, que já possui CNPJ registrado em Ubaíra desde 2021 e vem ampliando sua estrutura na região, cresce a expectativa de que o Vale do Jiquiriçá seja uma área estratégica para a exploração de minerais de alto valor comercial e tecnológico.

As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos, sendo 15 deles pertencentes ao grupo dos lantanídeos na Tabela Periódica (do lantânio ao lutécio). Os outros dois elementos associados são o escândio (Z=21) e o ítrio (Z=39).

Esses elementos ocorrem geralmente nos mesmos minérios e apresentam propriedades físico-químicas semelhantes.

As principais fontes econômicas de terras raras são os minerais monazita, bastnasita, xenótimo, loparita e as argilas lateríticas que absorvem íons.

Em 2023, moradores da zona rural de Jiquiriçá demonstraram preocupação com a presença de pesquisadores na região do Monte Alto.

Na época, questionamentos foram encaminhados às prefeituras de Ubaíra e Jiquiriçá, além da própria mineradora, no entanto, as respostas foram inconclusivas: as prefeituras alegaram desconhecimento e a empresa não respondeu oficialmente.

Além das terras raras, circulam especulações sobre a presença de lítio no Vale do Jiquiriçá, mineral estratégico para a produção de baterias de veículos elétricos, além disso, drones, painéis fotovoltaicos, motores elétricos, tecnologia digital, impressão 3D e até mesmo combustíveis avançados.

Apesar da importância econômica e geopolítica desses minerais, o Brasil ainda não possui uma legislação específica para o controle e uso de terras raras e outros minerais estratégicos.

O presidente do IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração), Raul Jungmann, chegou a se posicionar publicamente a favor da proteção desses recursos como patrimônio do povo brasileiro.

A ausência de regulamentação coloca em risco uma riqueza que pode ser essencial para o futuro tecnológico e econômico do país.

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Fonte: Mídia Bahia

				
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