As chamadas terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos, os 15 lantanídeos, além de escândio e ítrio.
O Vale do Jiquiriçá começa a ganhar protagonismo em uma disputa estratégica por minerais considerados essenciais para a economia global.
Os municípios de Ubaíra, Jiquiriçá e Mutuípe abrigam reservas de elementos pouco conhecidos do grande público, como disprósio e térbio, fundamentais para a produção de ímãs de alta tecnologia utilizados em motores elétricos, turbinas eólicas, satélites, sistemas de defesa e equipamentos de precisão.
Segundo informações, quem lidera esse avanço é a Borborema Mineração, braço brasileiro da empresa australiana Brazilian Rare Earths (BRE).
A companhia anunciou investimentos de R$ 3,5 bilhões para instalar uma unidade de produção de concentrado mineral e óxidos de terras raras, com início das operações previsto para 2028.
O projeto é acompanhado de perto pelo Governo da Bahia, que considera a iniciativa estratégica para diversificar a economia com foco em sustentabilidade e tecnologia.
As chamadas terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos, os 15 lantanídeos, além de escândio e ítrio.
Eles estão presentes em praticamente todas as tecnologias atuais, incluindo motores de veículos elétricos, turbinas eólicas de última geração, drones militares, robótica avançada, smartphones e sistemas de impressão 3D.
Entre eles, os chamados elementos pesados, como disprósio (Dy) e térbio (Tb), são os mais escassos fora da Ásia e têm função crucial na produção dos ímãs permanentes de alta resistência DyNdFeB, utilizados em equipamentos de energia limpa e defesa.
Hoje, a China concentra cerca de 70% da produção global de terras raras e controla 90% da capacidade mundial de refino, nesse cenário, o Brasil surge como peça-chave, pois detém a segunda maior reserva natural desses minerais no mundo, embora ainda pouco explorada.
A Borborema destaca que a Bahia reúne vantagens competitivas importantes para o setor: infraestrutura portuária estratégica, mão de obra qualificada e possibilidade de verticalização da cadeia produtiva, fatores que influenciaram a instalação da BRE no estado.
Elementos de Terras Raras
Leves (LREE):
Lantânio (La), Cério (Ce), Praseodímio (Pr), Neodímio (Nd), Promécio (Pm), Samário (Sm), Európio (Eu), Escândio (Sc) e Ítrio (Y).
Pesados (HREE):
Gadolínio (Gd), Térbio (Tb), Disprósio (Dy), Hólmio (Ho), Érbio (Er), Túlio (Tm), Itérbio (Yb) e Lutécio (Lu).
Aplicações tecnológicas
As terras raras são fundamentais para setores estratégicos:
- Robótica: motores de precisão e atuadores;
- Veículos elétricos: ímãs de alta eficiência;
- Energia limpa: turbinas eólicas mais potentes;
- Defesa: drones, radares e sistemas de guiamento;
- Eletrônicos: smartphones, computadores e impressão 3D.
Impacto econômico na região
A Borborema planeja iniciar a produção com concentrados minerais, avançando posteriormente para a separação de óxidos de neodímio e praseodímio, além de concentrados de terras raras pesadas.
Dados do IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração) apontam que cada emprego direto na mineração gera até 13 empregos indiretos, com isso, o projeto pode impulsionar cerca de 2 mil postos de trabalho adicionais no Vale do Jiquiriçá, fortalecendo o desenvolvimento regional.
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Fonte: Criativa On Line / Jornal A Tarde – Foto: Semad